ADL já apoiou mais de 79 milhões de euros no Litoral Alentejano (c/áudio)
A Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejano (ADL) fez, na Santiagro, um balanço dos apoios concedidos ao território nos últimos 30 anos e apresentou novas medidas de financiamento para agricultores, empresas, instituições e autarquias.
Foto: DR
O tema esteve em debate no colóquio “Apoios no Litoral Alentejano 2026-2029”, promovido pela ADL no âmbito da 38.ª edição da Santiagro – Feira Agropecuária e do Cavalo, em Santiago do Cacém.
Segundo o presidente da associação, Ricardo Brito Pais os fundos geridos pela associação tiveram, nas últimas três décadas, um impacto significativo nos cinco municípios onde intervém.
“Falamos de mais de 79 milhões de euros que apoiámos nos últimos 30 anos. É significativo”, afirmou.
Em declarações à rádio M24, o responsável adiantou que estes apoios contribuíram para a criação de cerca de 1.100 postos de trabalho.
“Estamos a falar de pequenas empresas. Não estamos a falar de empresas grandes que criam emprego para 10 pessoas. Se calhar criam um ou dois postos de trabalho”, explicou.
De acordo com o presidente da ADL, os apoios não se destinam apenas à agricultura, embora esta continue a ter um peso importante.
“A principal atividade apoiada é a parte agrícola, mas temos também toda a diversificação. Muitos destes valores entraram para turismos, alojamentos locais e alguns restaurantes”, referiu.
Apesar do balanço positivo, a associação alerta para a limitação das verbas disponíveis no atual quadro de financiamento. O envelope global ronda os quatro milhões de euros, mas inclui várias áreas, como o rural, o mar e o desenvolvimento costeiro.
“Fala-se à volta de quatro milhões de dinheiro, mas quando começamos a repartir isto, não é nada”, afirmou o presidente da ADL.
Uma das primeiras medidas, dedicada a pequenos investimentos agrícolas, já encerrou. Esta linha tinha um milhão de euros disponível e registou muitas candidaturas.
“Só esta fechámos com um milhão. Tivemos projetos muito interessantes e estamos na dúvida agora de saber se conseguimos ter verba para abrir mais”, acrescentou.
Por seu lado, a coordenadora-geral da ADL Maria João Duarte explicou que a associação tem contratadas com o Estado cinco medidas no âmbito do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum), cabendo-lhe analisar candidaturas e acompanhar os projetos.
“Já abrimos um aviso relativo aos pequenos investimentos agrícolas, que são investimentos até 50 mil euros para o agricultor comprar um pivô, fazer uma cerca, um armazém ou um trator”, explicou.
Além desta medida, a ADL prevê abrir novas linhas de apoio para transformação de produtos agrícolas, diversificação de atividades, comércio, serviços, turismo, mercados locais e património.
Na área da transformação, poderão ser apoiados projetos como queijarias, salsicharias e adegas: “São projetos até 250 mil euros e o apoio ronda os 50 por cento a fundo perdido”, adiantou Maria João Pereira.
A responsável indicou ainda que outra medida será dirigida à diversificação, comércio e serviços, incluindo o turismo.
“São projetos até 300 mil euros, mas é preciso ter sempre atenção aos avisos, às CAE definidas e às especificidades de cada aviso”, sublinhou.
A ADL vai também abrir apoios à comercialização, cadeias curtas e mercados locais.
“Os produtores podem candidatar-se para levar os seus produtos aos mercados e as autarquias também se podem candidatar para a modernização dos mercados”, explicou.
Outra linha será destinada ao património natural e cultural, podendo abranger associações, coletividades e entidades da área social.
“Essa está um bocadinho mais atrasada, porque estamos dependentes dos templates e das orientações técnicas da Autoridade de Gestão”, disse Maria João Duarte.
A formação profissional foi outro dos temas abordados no colóquio. A ADL tem ações financiadas a 100 por cento pelo Fundo de Transição Justa, dirigidas ao Litoral Alentejano, sobretudo nas áreas do turismo e do agroalimentar.
No entanto, o presidente da associação, Ricardo Brito Pais, reconheceu dificuldades em reunir o número mínimo de formandos.
“Tem havido algum constrangimento em arranjar o mínimo dos 15 formandos para completar turmas”, admitiu o responsável, acrescentando que a ADL está disponível para adaptar a oferta formativa às necessidades concretas do território.
“Se tivermos alguma entidade ou formandos com necessidades específicas, que nos digam, e tentamos trabalhar com base nisso”, acrescentou.
No colóquio foram ainda apresentados projetos financiados pelo Alentejo 2030, nomeadamente nas áreas da cultura, inclusão social, valorização dos produtos locais, certificação, capacitação dos agentes do território e gestão da água.
Maria João Duarte destacou o projeto “Arte e Comunidade”, dirigido a idosos e pessoas com deficiência, e uma intervenção territorial ligada à água e aos ecossistemas, mais direcionada para o concelho de Odemira.
Comente esta notícia
Notícias mais vistas
Detonação controlada na antiga central termoelétrica de Sines marcada para quarta-feira
26/05/2026
Trio detido por furto no interior de residência em Vila Nova de Santo André
19/05/2026
Homem detido por suspeita de tráfico de droga em Santiago do Cacém
25/05/2026
Viatura pesada furtada em Alvalade recuperada pela GNR perto de Relíquias
19/05/2026