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Contactado pela rádio M24, o presidente do sindicato XXI, Luís Peixoto, disse que a PSA Sines, concessionária do Terminal de Contentores, não quer negociar "um acordo para a paz social" naquela infraestrutura portuária.

“A PSA Sines fez hoje um comunicado a [afirmar] que a instabilidade, a quebra de volumes, o desvio de linhas por parte da MSC [Mediterranean Shipping Company] ao Terminal XXI são da responsabilidade direta deste sindicato com este pré-aviso de greve” quando “na verdade tem sido intransigente em encontrar um acordo para a paz social no terminal”, afirmou.

O dirigente disse que o sindicato rejeita responsabilidades na instabilidade social criada ao longo deste ano, devido a várias paralisações, tendo sido decidido “retirar este pré-aviso de greve” para demonstrar o “sentido de responsabilidade e maturidade” do sindicato nesta matéria.

No entanto, argumentou que as sucessivas greves que se fizeram sentir no terminal “são legítimas e um direito dos trabalhadores” e que as suas consequências resultam “da intransigência da empresa em chegar a um entendimento com o subscritor do Acordo de Empresa” que é o sindicato XXI.

Apesar do levantamento da greve, o sindicato pretende “expor a situação à Administração dos Portos de Sines e do Algarve e ao Ministério das Infraestruturas que tem a tutela dos portos, afirmou o dirigente, acrescentando que “o medo e a perseguição aos trabalhadores pelos seus direitos não pode acontecer”.

“O pré-aviso de greve não é retirado por medo, nem por pressão a esta estrutura sindical, mas pela responsabilidade e pelo clima que a empresa tem feito sentir no terminal, com conversas de despedimentos coletivos e de uma situação insustentável”, afiançou.

“A PSA tem feito comunicados [a alertar] para esta perda de volumes de forma sistemática, apresentou um mail do cliente MSC a retirar três rotas de navios que foram desviadas para Espanha, mas isto tem acontecido desde as paralisações que se iniciaram em março e até este mês de dezembro”, convocadas por outras estruturas sindicais, acrescentou.

Questionado sobre o cancelamento do plenário que chegou a estar previsto para esta tarde para apresentar e discutir "um possível acordo" com a empresa, o sindicalista explicou que se deveu a falta de consenso na interpretação de algumas medidas.

“A verdade é que a interpretação de algumas das medidas do tal acordo que estava a ser desenhado não criava consenso e só se percebeu isso hoje”, nomeadamente “a leitura das tabelas salariais propostas”, com as quais o sindicato não concorda, levando ao cancelamento do plenário, sublinhou.

O pré-aviso de greve foi emitido no passado dia 26 de novembro contra a imposição de horários, regressão das carreiras salariais e negociação das tabelas salariais.


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SANTIAGO DO CACÉM
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