Foto: Teatro do Mar

Com conceito e encenação de Julieta Aurora Santos, também diretora do Teatro do Mar, o espetáculo parte da observação do corpo no espaço urbano e das estruturas invisíveis que condicionam comportamentos, ritmos e formas de estar na vida quotidiana.

O título “STRATA” significa camadas e está também associado à origem da palavra “street” (rua) mas, segundo Julieta Aurora Santos, “a relação maior tem a ver com as camadas”, ideia que atravessa toda a criação.

Em declarações à rádio M24, a encenadora explicou que o espetáculo nasce de uma reflexão sobre a pressão contemporânea para produzir, ser eficaz e corresponder a um sistema assente na velocidade e na continuidade.

“É uma questão muito contemporânea, o facto de termos que estar sempre a produzir, termos que ser sempre eficazes, esta busca do sucesso e de fazer parte de um sistema que está sempre ligado à produtividade”, afirma Julieta Aurora Santos.

Sem recurso à narrativa linear e sem texto, a companhia explicou que “STRATA” propõe uma experiência física, visual e sensorial sobre a normalização do esforço e a violência discreta das estruturas contemporâneas de hiperprodutividade.

A criação acompanha corpos que começam por surgir eficazes e disponíveis para a ação, mas que, ao longo do percurso, vão revelando camadas de desgaste até exporem a sua vulnerabilidade.

“O espetáculo parte desta premissa de uma produtividade constante, de uma ação constante, e vão saindo camadas ao longo do espetáculo até revelar a vulnerabilidade máxima dos corpos, que começam muito eficazes e terminam muito vulneráveis”, referiu a encenadora.

“STRATA” conta com cinco intérpretes ligados à dança, ao teatro físico e ao circo e, por se tratar de um espetáculo de rua, a criação adapta-se ao espaço público, à arquitetura de cada local e à presença do público.

Julieta Aurora Santos sublinhou que o público é convidado a viver a experiência de forma física, a partir do exterior do Centro de Artes de Sines, acompanhando o percurso do espetáculo até uma instalação final.

“O espetáculo não tem texto, como a esmagadora maioria dos espetáculos do Teatro do Mar, é um espetáculo físico, e provoca o espetador a viver a experiência connosco”, explicou.

A encenadora acrescentou ainda que “STRATA” estabelece uma relação direta com a rua e que, por isso, “nunca será exatamente igual”, adaptando-se ao público e ao espaço onde é apresentado.

O espetáculo é dedicado a Luís Santos, colega e amigo do Teatro do Mar durante cerca de 20 anos, falecido no dia 4 de maio. A cenografia da instalação é da sua autoria e constitui o seu último trabalho artístico.

“Esta presença e esta ausência fazem parte das camadas de que o espetáculo é feito e dedicamo-lo a ele com todo o coração”, afirmou Julieta Aurora Santos.

Além da encenadora, a criação conta com assistência de encenação e movimento de Be Dias, interpretação e cocriação de movimento de Carlos Campos, João Pataco, Joana Teixeira, Luís João Mosteias e Sofia Santos. A banda sonora é de Tiago Inuit e a cenografia e design de Luís Santos.

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SANTIAGO DO CACÉM
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