Start Campus testa em Sines gémeo digital para otimizar centro de dados
A Start Campus vai testar em Sines um gémeo digital do centro de dados SIN01, tecnologia que permite simular energia, arrefecimento e operação antes de fazer alterações reais, procurando reduzir riscos e melhorar a eficiência.
Foto: DR
Em comunicado, a Schneider Electric, a AVEVA, a Nscale e a Start Campus anunciaram um projeto-piloto para criar uma representação digital do centro de dados SIN01, instalado no SINES Data Campus.
Na prática, o chamado gémeo digital funciona como uma cópia virtual da infraestrutura real e permite testar alterações no funcionamento do centro de dados, nomeadamente no consumo de energia, nos sistemas de arrefecimento ou na instalação de novos equipamentos, antes de essas mudanças serem feitas fisicamente.
O objetivo é perceber antecipadamente o impacto de cada decisão, reduzir riscos e acelerar a entrada em funcionamento de novas tecnologias.
O projeto vai recorrer ao NVIDIA Omniverse DSX Blueprint e combinar dados de engenharia e operação com simulações de energia, arrefecimento e utilização dos equipamentos informáticos.
Segundo as empresas envolvidas, a tecnologia permitirá testar diferentes cenários e perceber, por exemplo, o que acontece à alimentação elétrica e ao sistema de arrefecimento quando aumenta a densidade dos equipamentos instalados.
O diretor executivo da Start Campus, Robert Dunn, explicou que este tipo de simulação permite experimentar novas configurações antes de avançar para a instalação física.
“A colaboração com a Schneider Electric, a Nscale e a NVIDIA mostrou-nos que operadores e clientes projetam, desenvolvem e operam melhor os centros de dados quando trabalham a partir do mesmo modelo", sublinhou.
O responsável considera que esta abordagem pode acelerar a implementação de novos equipamentos, melhorar a eficiência e aproveitar melhor a capacidade energética disponível.
"Ao usar gémeos digitais para simular como um aumento da densidade de racks se propaga pela cadeia de alimentação elétrica e pelo circuito de arrefecimento líquido antes de se tornar realidade física, podemos testar novas gerações de 'hardware', acordar a configuração com o cliente e construir à primeira. Isto acelera a implementação, melhora a eficiência e maximiza o valor de cada megawatt. É um passo importante para a entrega de infraestrutura de IA resiliente e à escala”, referiu.
O piloto será aplicado às operações da Nscale no SIN01, uma das unidades do SINES Data Campus, projeto que prevê uma capacidade total de 1,2 gigawatts.
De acordo com as empresas, a infraestrutura deverá receber mais de 66 mil processadores gráficos NVIDIA Rubin, destinados a aplicações de inteligência artificial.
A Nscale espera utilizar o gémeo digital para reduzir o tempo necessário para colocar nova capacidade de inteligência artificial em funcionamento e melhorar a eficiência das operações.
David Power, diretor de tecnologia da empresa, explicou que a solução permitirá analisar todo o funcionamento da infraestrutura, "da energia e do arrefecimento até à entrega de tokens", identificando possibilidades de melhoria antes de intervir nos equipamentos reais.
O projeto junta ainda tecnologias da Schneider Electric, AVEVA e ETAP e pretende acompanhar todo o ciclo de vida do centro de dados, desde a fase de projeto até à operação.
A Start Campus disponibiliza a infraestrutura e os dados reais do centro de dados de Sines, enquanto as restantes empresas fornecem as ferramentas de simulação, gestão de energia e software necessárias à criação do modelo digital.
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