Renovar Santiago do Cacém exige esclarecimentos públicos sobre parque eólico
A plataforma Renovar Santiago do Cacém exigiu que a câmara municipal e as juntas de freguesia abrangidas pelo Parque Eólico do Sudoeste se pronunciem publicamente sobre o projeto e promovam sessões urgentes de esclarecimento às populações.
Foto: DR
Em comunicado, o movimento alertou para os possíveis impactos ambientais, paisagísticos, sociais e económicos do projeto, cuja Proposta de Definição de Âmbito está em consulta pública até 18 de agosto.
O parque eólico está previsto para uma área de cerca de 1.098 hectares, distribuída pelos núcleos de São Bartolomeu, Vale Miguel e Monte das Oliveiras, abrangendo a União das Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra e a freguesia de Abela.
O projeto prevê a instalação de 23 aerogeradores, uma ligação elétrica até Sines e um sistema de armazenamento com baterias.
A produção anual estimada, de 386,4 gigawatts-hora, destina-se ao centro de dados que a Start Campus está a desenvolver em Sines.
Em comunicado, a Renovar Santiago do Cacém afirmou defender as energias renováveis e a transição energética, desde que coloquem “as pessoas e a natureza em primeiro lugar”, contribuam para reduzir as "emissões com efeito de estufa", assim como "a fatura energética das famílias" e a "dependência de combustíveis fósseis".
No entanto, a plataforma rejeitou que projetos com “profundos impactes” no território sejam desenvolvidos exclusivamente para responder às necessidades energéticas de grandes interesses empresariais e tecnológicos.
A estrutura recordou ainda os projetos de duas centrais solares previstos para São Domingos e Vale de Água e para o Cercal do Alentejo, considerando que Santiago do Cacém corre o risco de se transformar num “território a sacrificar” devido à concentração de "grandes interesses energéticos".
Além das sessões públicas, a Renovar exigiu um estudo dos efeitos cumulativos dos vários projetos previstos para Santiago do Cacém e concelhos vizinhos e a definição de zonas de instalação de parques solares e eólicos, respeitando as populações e o território.
Esta fase de definição de âmbito é preliminar e obrigatória à avaliação de impacte ambiental para projetos desta natureza e dimensão, seguindo-se, mais tarde, nova consulta pública.
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