Foto: CMS

Em declarações à rádio M24, Carlos Seixas assumiu que a edição deste ano teve de ser ajustada às condições existentes, mas defendeu que o FMM deve ser visto “de uma forma positiva e com vontade de mostrar aquilo que o festival vale”.

“Menos concertos, menor carga horária, mas a mesma qualidade”, afirmou o responsável, sublinhando que o FMM continua a ser “uma marca muito importante”.

Questionado sobre as dificuldades sentidas na preparação desta edição, Carlos Seixas admitiu que houve uma redução do orçamento, mas rejeitou que isso tenha implicações na qualidade artística do festival.

“Toda a gente sabe que houve uma redução do orçamento, mas isso não implica que vá cortar a qualidade do festival, jamais”, afiançou.

Segundo o programador, o setor cultural atravessa um período particularmente exigente, marcado pelo aumento dos custos de produção, transporte, equipamentos, materiais e cachets artísticos.

“Há um grande aumento de custos de produção, de custos artísticos, os transportes, os materiais, os equipamentos, a inflação, tudo isso subiu exponencialmente”, referiu, acrescentando que o setor vive uma fase em que é necessário “ter muito cuidado” na gestão dos recursos disponíveis.

Apesar dos constrangimentos, o responsável mostra-se confiante quanto à resposta do público: “Tenho boas expectativas. Acho que o público virá sempre, porque acredita e é o seu momento de verão mais ansiado”, afirmou.

Segundo o diretor artístico do FMM, a organização tem tudo preparado para evitar cancelamentos, embora reconheça que existem condicionantes externas, nomeadamente ao nível das viagens internacionais.

“Temos tudo preparado para que não haja nenhum cancelamento”, reforçou, lembrando que a instabilidade nas companhias aéreas e o aumento dos custos tornam mais difícil trazer determinados artistas ou grupos de países mais distantes.

“Não se pode trazer um grupo da Índia diretamente para Sines porque há os custos extraordinários das viagens, da estadia, o seu próprio cachet e a incerteza de que poderiam chegar aqui”, exemplificou.

O diretor artístico destacou também a dimensão social e humanista do Festival Músicas do Mundo, garantindo que o evento continuará a dar espaço a causas e mensagens de cidadania.

“Este festival tem uma carga social e humanista extremamente forte. Todos temos a noção de que este festival não é só entretenimento, esta é a casa da cidadania”, sustentou.

Quanto à programação, Carlos Seixas preferiu não escolher apenas um concerto, mas apontou alguns nomes da edição deste ano, entre eles a napolitana La Niña, Julian Marley, Mádé Kuti, o regresso dos Konono n.º1 e o brasileiro Otto.

“Temos um naipe de artistas consagrados e depois há as descobertas. E essas descobertas é aquilo que move muita gente. Aqueles pequenos grupos emergentes, artistas que são pouco conhecidos, mas que chegam e mostram a sua qualidade, que é excecional”, sublinhou.

Com artistas oriundos de mais de 20 países e territórios, a 26.ª edição do FMM volta a arrancar na aldeia de Porto Covo, onde estará nos dias 17, 18 e 19 de julho, seguindo para Sines, logo a partir do dia 20, primeiro com atuações distribuídas pelo Centro de Artes de Sines, Pátio das Artes e Largo Poeta Bocage e depois, a partir do dia 22, nos palcos do Castelo e da Avenida Vasco da Gama.

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SANTIAGO DO CACÉM
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