Falta de trabalhadores qualificados é um dos desafios da transição energética alertam responsáveis (c/áudio)
A falta de trabalhadores qualificados é já um dos principais desafios colocados pela transição energética, alertaram hoje responsáveis e autarcas durante as Jornadas Técnicas de Inovação da Transição Energética, que decorrem em Ermidas-Sado.
Foto: DR
Na sessão de abertura das jornadas promovidas pelo Centro de Formação para a Transição Energética (CFTE) a diretora do Departamento de Formação Profissional do IEFP, Maria da Luz Pessoa Costa, disse que as empresas estão a ter dificuldades em contratar profissionais para as novas áreas da economia verde.
"Hoje sabemos que muitas das profissões associadas à economia verde e às energias renováveis [...] são cada vez mais procuradas pelas empresas, mas também ouvimos todos os dias os empresários indicarem a falta de recursos humanos qualificados e a dificuldade de contratação que têm", referiu.
Para o IEFP, a formação profissional terá de antecipar as necessidades do mercado e não apenas responder quando a falta de trabalhadores já existe.
"Uma das grandes preocupações do IEFP é garantir que o sistema de formação profissional consegue responder com rapidez, qualidade e antecipação às necessidades emergentes. Não nos basta reagir [...] temos de proagir", argumentou.
Também o presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis, Joaquim Barbosa, que falava para uma plateia composta na sua maioria por jovens, defendeu que Portugal tem recursos naturais e humanos para aumentar a independência energética.
"Em Portugal temos ótimas pessoas, temos ótimos recursos, com uma resiliência enorme, com uma capacidade de trabalho enorme, uma aprendizagem enorme", sustentou.
Segundo Joaquim Barbosa, cerca de 75% da eletricidade consumida em Portugal provém já de fontes renováveis, mas o caminho previsto para os próximos anos implica um crescimento significativo do setor.
"Este caminho significa um crescimento, só à luz do que se chama o PNEC, que é o Plano Nacional de Energia e Clima, de cerca de três vezes a situação onde nós estamos", acrescentou o responsável, apontando ainda para cerca de 60 mil milhões de euros em projetos à espera de investimento.
"Existem cerca de 60 mil milhões de projetos à espera de serem investidos. 60 mil milhões é mais ou menos 20% do PIB", observou.
Na abertura, o presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Bruno Gonçalves Pereira, defendeu também que a transição só será possível com trabalhadores qualificados e por isso revelou que há várias instituições interessadas em disponibilizar ensino superior no concelho.
"Há, podemos dizer, até com uma certa vaidade, fila de espera para as instituições de ensino superior se instalarem no concelho de Santiago do Cacém [...] Não existe transição energética sem pessoas qualificadas para o fazer", sustentou.
As Jornadas da Transição Energética prosseguem esta quarta-feira, em Ermidas-Sado. O segundo dia é dedicado ao tema "Energia que transforma territórios", com empresas e especialistas a debater o impacto dos novos projetos energéticos no desenvolvimento económico e social das regiões.
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