Bobinas com a senha do 25 de Abril classificadas como tesouro nacional
As gravações sonoras associadas à senha que desencadeou a Revolução de 25 de Abril de 1974 passam a integrar oficialmente a lista de tesouros nacionais, na sequência de um decreto hoje publicado em Diário da República.
Foto: CMG
Em causa estão dois fonogramas, constituídos por três bobinas, que documentam momentos decisivos da história contemporânea portuguesa. A primeira corresponde à gravação do programa Limite, emitido pela Rádio Renascença na madrugada de 25 de Abril de 1974, emissão que funcionou como sinal para o início das movimentações militares que levaram à queda da ditadura.
As outras duas bobinas registam o Primeiro Encontro da Canção Portuguesa, realizado a 29 de março de 1974 no Coliseu dos Recreios. Estes registos ajudam a compreender o contexto que levou à escolha de Grândola, Vila Morena, de José Afonso, como senha da revolução.
O processo de classificação teve início em junho de 2024 e a proposta foi tornada pública em julho de 2025, culminando agora com a decisão governamental. O procedimento foi desencadeado a pedido da Direção Regional de Cultura do Alentejo e do Município de Grândola, tendo contado com parecer favorável da Museus e Monumentos de Portugal.
A primeira bobina, pertencente à Fundação Mário Soares e Maria Barroso, inclui a leitura da quadra inicial de Grândola, Vila Morena, a canção na íntegra, efeitos sonoros e ainda poemas de Carlos Albino, bem como Coro da Primavera, também de José Afonso. O segundo conjunto, propriedade da RTP, reúne as gravações originais do encontro musical no Coliseu.
Segundo o despacho que fundamenta a decisão, estes registos “transportam memórias coletivas associadas ao 25 de Abril” e constituem testemunhos únicos de factos de relevância nacional, integrando o património fonográfico protegido pela Lei de Bases do Património Cultural.
As bobinas foram doadas por Manuel Tomaz, responsável pelas gravações e coautor do programa Limite. Já em 2023, o presidente da Câmara de Grândola, António Figueira Mendes, sublinhava a importância de salvaguardar estes registos, alertando para o risco de perda de um património sonoro fundamental para a memória coletiva do país.
Com esta classificação, o Estado português reforça a proteção de documentos sonoros que ajudaram a mudar o curso da história e que passam agora a estar reconhecidos como bens de valor excecional para a identidade nacional.
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