A transição energética fez-se em miniatura numa competição em Sines.
Perto de uma centena de alunos do ensino secundário participou, esta sexta-feira, no Pavilhão Multiusos de Sines, numa competição com carros telecomandados movidos a hidrogénio.
Foto: DR
O evento marcou o encerramento do projeto-escola “Hidrogénio Verde na Corrida para a Descarbonização”, implementado pelo HyLab, no âmbito da agenda H2 Green Valley, com o apoio da Câmara Municipal de Sines e do Sines Tecnopolo.
Segundo Nuno Canha, coordenador geral do projeto-escola, o objetivo foi aproximar os jovens do hidrogénio verde e da sua aplicação prática.
“Queríamos que percebessem o que é o hidrogénio verde, como se produz, quais as suas aplicações e a sua potencialidade na descarbonização”, explicou.
Durante quatro horas, as equipas colocaram os carros à prova numa corrida de endurance. Mas não bastava acelerar. Era preciso gerir energia, evitar avarias, trocar pilhas de hidrogénio e manter a estratégia até ao fim.
Cada turma recebeu um kit com um carro telecomandado, um eletrolisador e pilhas de hidrogénio. A partir daí, coube aos alunos montar, testar e melhorar os veículos.
Na equipa Power Riders, da Escola Secundária Poeta Al Berto, em Sines, Inês Vilelas, de 17 anos, contou que o desafio foi aceite sem hesitações, apesar dos problemas técnicos.
“Nós nem pensámos duas vezes, aceitámos logo participar. Tivemos alguns problemas, claro, até agora na corrida, mas temos estado a tentar resolver tudo”, garantiu.
Tubos rachados, rodas que não viravam e ventoinhas que não ligavam foram alguns dos obstáculos encontrados. Ainda assim, a equipa mantinha o otimismo.
Da Escola Secundária Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, o professor de Física e Química José Ferreira acompanhava duas equipas com desempenhos diferentes. Uma enfrentava dificuldades, outra seguia nos primeiros lugares.
Para o professor, mesmo quando a corrida não corre bem, há sempre aprendizagem.
“Estão um bocadinho desmoralizados porque estão a ficar para trás, mas ao mesmo tempo estão a tentar resolver o problema e é isso que os vai fazer crescer.”
De Grândola chegou uma equipa com um carro inspirado no Faísca McQueen, escolhido com a ajuda de crianças de um infantário. A decoração chamou a atenção, mas também aqui houve problemas com a célula de hidrogénio.
Ainda assim, a escolha deste famoso carro de corrida não bastou para evitar problemas técnicos, admitiram Rafael Silva e Lucas Pereira, os mecânicos da equipa que se debateram com problemas na célula de hidrogénio.
“O hidrogénio, que é o combustível, não está a chegar bem ao carro ou está a fazer pressões elevadas no sistema”, contou Rafael, aluno da Escola Secundária António Inácio da Cruz.
Para Lucas, a experiência foi mais do que uma corrida: “Permite-nos aprender bastante sobre o hidrogénio. Tem sido uma experiência enriquecedora e também um desafio”.
Já na equipa da Escola Secundária Padre António Macedo, de Vila Nova de Santo André, que a meio da prova seguia em quarto lugar, a estratégia passava por poupar energia para acelerar no final.
“Estamos a tentar segurar as baterias por um tempo, para fazer mais voltas, e no fim acelerar mais”, disse João Santos.
Esta foi a primeira competição do género realizada em Portugal no âmbito do circuito internacional H2 Grand Prix. A equipa vencedora, a Dj Racing, de Grândola, poderá representar o país numa final internacional.
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