Sul do país com reservas de água históricas e barragens do Alentejo em destaque
O sul de Portugal atravessa um momento excecional no que diz respeito às reservas de água, com níveis que garantem abastecimento para “dois a três anos”, segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado.
Foto: CMSC
De acordo com os dados mais recentes, as albufeiras do país atingiram cerca de 95% da sua capacidade total, podendo mesmo ser batido um recorde nacional de armazenamento já no final deste mês de fevereiro.
“Só não estamos a 100% porque estamos a libertar água”, explicou o responsável.
O grande destaque vai para o Alentejo, tradicionalmente uma das regiões mais afetadas pela seca, mas que agora apresenta um cenário completamente inverso.
A barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique, é um dos exemplos mais marcantes. Conhecida historicamente pelos baixos níveis de água, atingiu agora a capacidade máxima, tendo sido necessário realizar descargas de superfície. Neste século, só tinha enchido uma vez, em 2011.
Também a barragem de Campilhas, em Santiago do Cacém, registou uma recuperação significativa. Após anos críticos, chegando a apenas 4% em fevereiro de 2022, encontra-se agora cheia.
Outro caso relevante é o da barragem de Santa Clara, no rio Rio Mira, em Odemira. Nos últimos anos os níveis oscilaram entre 33% e 66%, mas atualmente a albufeira atingiu a capacidade máxima.
Segundo a APA, o país viveu uma situação “verdadeiramente excecional”, com chuvas persistentes que afetaram todo o território, de Bragança a Faro. Este fenómeno levou ao enchimento generalizado das bacias hidrográficas, algo raro mesmo no norte, onde a água é normalmente mais abundante.
No sul, incluindo o Algarve, a mudança é particularmente significativa. Em 2024, as reservas de água na região eram suficientes para apenas cinco meses. Hoje, todas as albufeiras estão cheias.
Apesar do cenário positivo, o período foi exigente do ponto de vista da gestão hídrica. Foi necessário controlar descargas em várias barragens, incluindo na bacia do Rio Guadiana, que registou caudais na ordem dos 6.000 m³/s.
Além da chuva, fatores como o degelo e os incêndios do verão passado também influenciaram o comportamento dos rios, dificultando previsões e aumentando os riscos de cheia.
Embora a situação atual seja de tranquilidade, as autoridades sublinham que o contexto resulta de condições meteorológicas excecionais. A gestão sustentável da água continua a ser essencial, especialmente numa região historicamente vulnerável como o Alentejo.
O cenário atual marca, ainda assim, um contraste histórico: barragens que durante anos simbolizaram escassez são agora exemplo de abundância.
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