Sines disse adeus às chaminés da antiga central termoelétrica da EDP (c/vídeo)
Em menos de um minuto as duas chaminés da antiga central termoelétrica de Sines da EDP, com 225 metros de altura, vieram abaixo e desapareceram do horizonte. A operação, inicialmente prevista para as 15:00, foi antecipada em cinco minutos.
Foto: DR
Foi com recurso a carga explosiva que as duas chaminés foram demolidas, provocando uma nuvem intensa de partículas que, rapidamente, se dissipou. Nas zonas recomendadas pelas autoridades para se assistir ao seu desaparecimento juntaram-se dezenas de pessoas.
No final, o vereador responsável pela proteção civil municipal, José Manuel Arsénio, afirmou que a operação decorreu dentro do que estava previsto.
"A operação correu bem, com muita segurança. Esta operação começou a ser tratada com a empresa, entre maio e junho, e com a EDP sobre a detonação" tendo sido adotadas "todos os cuidados que entendemos que seriam necessários em termos de segurança", desde "o corte de trânsito" aos locais destinados para a visualização.
Questionado sobre o desaparecimento de uma imagem emblemática do concelho de Sines, o autarca, disse que, no próximo verão, os banhistas que escolherem São Torpes "vão dizer que estão noutra praia".
"Perdem a visão das chaminés" depois da água quente, com a desativação daquela unidade industrial, referiu.
"Sinto também alguma nostalgia porque, há 40 anos, enquanto bancário paguei muitos ordenados ao pessoal que trabalhou na construção da central termoelétrica. Mas a vida continua, é assim a evolução e temos de aceitar que virão aí outras coisas que necessitamos mais, novas tecnologias e cá estamos para enfrentar os desafios", afirmou.
Num comunicado, após a operação de demolição, a Capitania do Porto de Sines alertou que os marcas luminosas com luz vermelha, localizadas na posição 37° 55' 56.68" N – 008° 48' 14.00" W foram "removidas permanentemente, deixando de constituir auxílio à navegação".
Por isso, a capitania recomendou "especial atenção à navegação na área até à atualização das cartas náuticas e sistema eletrónico".
A EDP encerrou em janeiro de 2021 a central a carvão de Sines, um fecho antecipado e justificado pela empresa, na altura, pela deterioração das condições de mercado.
A central termoelétrica chegou a abastecer um terço da eletricidade consumida em Portugal, no início dos anos 90, e foi perdendo peso com o crescimento das energias renováveis, tendo assegurado apenas 4% do consumo elétrico em 2020, segundo dados da REN.
Em novembro de 2022, o Governo PS anunciou uma verba de 98,9 milhões de euros, através do Fundo para a Transição Justa, para “mitigar os efeitos do encerramento da Central Termoelétrica de Sines”, com vista à reintegração dos trabalhadores afetados pelo fecho daquela unidade, a par da criação de ações de formação e de apoio ao empreendedorismo.
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