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A parceria, formalizada no Dia Nacional e Mundial da Conservação da Natureza, que se assinala hoje, pretende consolidar a cooperação já existente entre as quatro entidades, aumentar o número de visitas de escolas e comunidades e criar melhores condições para receber estudantes, investigadores e turistas nacionais e estrangeiros.

O presidente da Câmara de Santiago do Cacém, Bruno Gonçalves Pereira, considerou que o protocolo representa uma espécie de “autoestrada da proteção ambiental”, ao reforçar o compromisso institucional com um trabalho que já vinha a ser desenvolvido no território.

“Há um empenho crescente. Sabemos que o futuro passa pela consciencialização do ambiente e sabemos que, às vezes , há pequenos retoques e coisas maiores”, afirmou o autarca, defendendo que o acordo cria novas responsabilidades para os parceiros e deve traduzir-se em mais meios para os técnicos que trabalham na reserva.

Bruno Gonçalves Pereira destacou ainda o potencial do Monte do Paio e dos equipamentos ligados à observação de aves e à interpretação da natureza para diversificar as visitas escolares ao concelho. O objetivo, explicou, é que as crianças e jovens não visitem apenas locais como as Ruínas Romanas de Miróbriga ou o Badoca Safari Park, mas conheçam também as paisagens e os valores naturais da região.

O autarca revelou igualmente estar prevista a criação de uma rota entre o Guadiana, a Serra de São Mamede, no distrito de Portalegre, e as lagoas de Santo André e da Sancha, permitindo aproximar as populações do interior alentejano dos espaços naturais do litoral.

“Queremos ver outra vez mais crianças aqui e queremos passar a ver mais investigadores das universidades”, afirmou, considerando que o interesse crescente das instituições de ensino superior por Sines, Santiago do Cacém e Vila Nova de Santo André poderá criar uma “tempestade positiva perfeita” para acelerar o desenvolvimento de projetos no território.

Já o presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha, esta é uma forma de reforçar o "compromisso das várias entidades", num "trabalho fundamental" nas áreas da conservação da natureza

O Centro Nacional de Educação Ambiental para a Conservação da Natureza recebeu, em 2025, mais de dois mil alunos. Com o novo protocolo, as entidades pretendem intensificar as atividades de sensibilização e melhorar as condições de acolhimento, incluindo as infraestruturas exteriores necessárias à visitação da reserva.

O responsável regional do ICNF, José Calado, destacou que um dos principais desafios passa pela transmissão de conhecimentos sobre as espécies vegetais e animais e sobre a forma como os valores naturais devem ser geridos.

“É preciso conhecer as plantas, saber que existem e perceber que temos de ter cuidado na sua gestão”, afirmou, acrescentando que as lagoas desempenham funções importantes na conservação da biodiversidade, no equilíbrio da temperatura e no habitat de várias espécies.

O responsável defendeu que as visitas a espaços naturais devem começar durante a infância, aproveitando a curiosidade das crianças para lhes transmitir conhecimentos que possam ser aprofundados ao longo da vida.

Sobre a necessidade de recuperar estruturas degradadas, como passadiços e equipamentos de observação, explicou que as entidades terão de procurar financiamento através dos programas regionais.

“Não queremos deixar aos nossos descendentes pior do que aquilo que recebemos”, afirmou, defendendo a manutenção e melhoria progressiva das infraestruturas existentes.

A vice-presidente da CCDR Alentejo para a área do Ambiente, Sónia Ramos, salientou que o protocolo "aumenta o grau de compromisso entre as quatro entidades" e permitirá desenvolver "uma estratégia mais intensiva de atração" de escolas, grupos, visitantes e investigadores.

“Este espaço tem condições para ser uma grande mostra da paisagem alentejana”, afirmou, sublinhando que a parceria está alinhada com "os objetivos nacionais e europeus de restauro e conservação da natureza".

A responsável reconheceu, contudo, que o centro necessita de obras, nomeadamente no edificado e na cobertura, assim como de intervenções em estruturas exteriores danificadas pelo mau tempo. Apesar de o investimento necessário ainda não ter sido calculado, Sónia Ramos, garantiu que a CCDR vai "refletir e estudar a melhor maneira" para obter verbas com vista à melhoria deste espaço.

“Não temos esse levantamento concreto”, explicou, acrescentando que o protocolo permitirá agora estudar as necessidades, identificar fontes de financiamento e melhorar as condições de receção dos visitantes, sem comprometer a preservação dos valores naturais da reserva.

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