Professores, auxiliares, pais e alunos manifestam-se em Santiago do Cacém por "uma escola feliz"
O secretário-geral da Fenprof apelou a uma “grande manifestação” no dia 20, à margem da reunião negocial com o Governo, porque a probabilidade de as reivindicações serem atendidas é maior se os docentes mantiverem uma “pressão forte”. À entrada para um plenário de professores, Mário Nogueira admitiu aos jornalistas que tem poucas expectativas para a [...]
O secretário-geral da Fenprof apelou a uma “grande manifestação” no dia 20, à margem da reunião negocial com o Governo, porque a probabilidade de as reivindicações serem atendidas é maior se os docentes mantiverem uma “pressão forte”.

À entrada para um plenário de professores, Mário Nogueira admitiu aos jornalistas que tem poucas expectativas para a reunião negocial sobre a revisão do regime de recrutamento e mobilidade, agendada para dia 20 de janeiro, no Ministério da Educação.
No litoral alentejano têm sido várias as concentrações de professores à porta das escolas que têm estado a funcionar “a meio gás” para demonstrar a sua insatisfação face à precariedade, não progressão das carreiras, por salários atualizados, horários legais e aposentação justa.
Uma dessas concentrações aconteceu esta manhã, na Escola Básica Frei André da Veiga, em Santiago do Cacém, e que juntou mais de uma centena de pessoas entre professores, auxiliares, pais e alunos.
José Paulo Ribeiro, professor há 35 anos, fala numa “degradação total da escola pública”, apontando a “falta de professores” entre as principais questões do descontentamento geral.
“Neste momento já temos em Portugal milhares de alunos que não têm aulas a uma ou duas disciplinas, algumas das quais com exame no final do ano, mas parece que ninguém está muito preocupado com isso”, afirmou.
Em declarações à rádio M24, à margem da ação de luta que culminou uma semana inteira de protestos, o docente mostrou ainda preocupação em relação “à falta de psicólogos” nos estabelecimentos de ensino que “não têm pessoas” para assumirem “alguns projetos” escolares.
“Há alunos que precisavam de apoio do não estar porque não há professores para apoiar essas crianças, por isso não sei o que se pretende fazer da educação em Portugal”, frisou.
Erguendo cartazes a pedir "dignidade", "justiça" e "respeito", os professores manifestaram a sua insatisfação para com o Ministério da Educação.
“Professores a lutar, também estão a ensinar”, “Professores em Greve”, “Por uma Escola mais feliz”, “Pela Educação Agora” foram algumas das palavras de ordem.
Aos professores juntaram-se também algumas dezenas de auxiliares, pais e alunos.
“Esta semana estivemos quase todos os dias em luta e culminou com a ação de hoje com muito apoio dos pais. Finalmente é a própria sociedade que se está a erguer a dizer que isto não pode continuar desta forma”, disse José Paulo Ribeiro.
Questionado sobre as diferenças entre esta luta e outras ações e protestos de professores que a sociedade tem assistido nos últimos anos, o docente, reconheceu que as anteriores reivindicações têm sido “entendidas como uma luta pela carreira dos professores”, quando se trata de criar condições para a escola pública.
Esta greve “é diferente” também porque os professores “não estão a reboque dos sindicatos”, explicou o docente, reconhecendo no entanto que “são os sindicatos que representam” a classe e “só eles é que podem decretar greves”.
“O S.T.O.P foi o primeiro a fazê-lo, mas isto ultrapassa o [sindicato] em largos milhares de pessoas. Ninguém está aqui por sindicato nenhum, estamos aqui pela nossa carreira, pela nossa profissão do pelos nossos amigos”, concluiu o docente que garante lutar até ter “um futuro”.
A partir de segunda-feira, inicia-se uma greve que, distrito a distrito, abrangerá todo o território continental.
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