Governo prepara plano de investimento público para acompanhar crescimento de Sines
O Governo está a preparar com a Câmara de Sines um plano de investimento público para reforçar a habitação, educação, saúde, respostas sociais e acessibilidades, acompanhando o crescimento industrial previsto para o concelho.
Foto: CMS
O anúncio foi feito pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, durante a cerimónia de entrega do Título Digital de Exploração das duas novas fábricas do Projeto ALBA, da Repsol.
Com um investimento superior a 800 milhões de euros, as unidades de produção de polipropileno e polietileno linear de baixa densidade deverão entrar em operação no final deste ano.
Segundo as perspetivas apresentadas pelo ministro, o investimento deverá permitir ao complexo industrial atingir um volume de negócios próximo dos 1.100 milhões de euros em 2029.
“Não estamos apenas perante novas fábricas. Estamos perante um reforço estrutural da capacidade industrial, exportadora e tecnológica instalada em Portugal, com impacto no emprego, na qualificação e na atividade económica de Sines, do Alentejo e do país”, afirmou.
Durante a cerimónia, o presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha, considerou o Projeto ALBA um investimento “importantíssimo”, gerador de emprego e riqueza, mas alertou para a pressão provocada pelo crescimento industrial sobre a comunidade.
Segundo o autarca, estão em curso ou previstos para os próximos anos investimentos privados superiores a 20 mil milhões de euros no concelho.
“Estes grandes investimentos privados têm de vir necessariamente acompanhados de investimento público em todas as áreas”, defendeu.
Álvaro Beijinha classificou como “dramática” a situação da habitação e afirmou que não existem no concelho casas disponíveis para arrendamento por menos de "dois mil euros mensais" nem imóveis para aquisição por valores inferiores "a 300 mil euros".
O autarca indicou também que a população de Sines cresceu mais de 12% desde 2021, o equivalente a cerca de duas mil pessoas, sem um aumento correspondente da capacidade dos serviços públicos.
Na resposta ao presidente da Câmara, Manuel Castro Almeida reconheceu que “Sines não pode ser apenas o recetáculo de grandes investimentos industriais” e que os trabalhadores precisam de condições para viver no concelho.
“Temos de ter aqui um plano de desenvolvimento do concelho para além da área industrial, que garanta condições nas escolas, nos centros de saúde, nas creches, nos infantários, nas acessibilidades e nas infraestruturas de todo o género”, afirmou.
Questionado sobre os prazos para a conclusão do plano de investimentos públicos, Manuel Castro Almeida disse apenas que o Governo vai “trabalhar com a celeridade necessária” para garantir “respostas rápidas” para a população.
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