Câmara de Alcácer do Sal congratula-se com "chumbo" da APA à Mina da Lagoa Salgada
O Município de Alcácer do Sal congratulou-se com a declaração de impacte ambiental desfavorável emitida, na sexta-feira, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ao projeto da Mina da Lagoa Salgada.
Foto: CMAS
O Município de Alcácer do Sal congratula-se com a declaração de impacte ambiental desfavorável emitida hoje pela Agência Portuguesa do Ambiente sobre o projeto da Mina da Lagoa Salgada.
Em comunicado, a autarquia reiterou que o desenvolvimento económico não pode ser feito "à custa das reservas de água essenciais" à população deste território.
“Defendemos o desenvolvimento económico, a implantação de novos projetos, a criação de emprego e a diversificação de atividades no nosso concelho, mas não podemos aceitar que isso se faça à custa das reservas de água essenciais para assegurar o abastecimento às nossas populações, por isso estamos muito felizes com esta decisão”, afirmou a presidente do município, Clarisse Campos, citada no comunicado.
Na nota, a autarca lembrou que sempre se manifestou contrária a este projeto e que esse foi o parecer do município, mesmo após a reformulação do projeto promovido pela Redcorp - Empreendimentos Mineiros.
“Entendemos que o projeto apresentava muitos riscos, o abate de extensas áreas de montado de sobro e a possibilidade de impactos nas captações de água que abastecem as populações de Vale de Guizo, Mil-Brejos Batão, Rio de Moinhos e Torrão, não representando, na nossa opinião, uma mais-valia para o nosso território”, acrescentou.
Na sexta-feira, a APA explicou que a sua decisão teve em conta as alterações introduzidas ao projeto, não obstante, considerar que o mesmo “continua a comportar impactes negativos muito significativos, nomeadamente ao nível dos recursos hídricos, fator determinante para a avaliação”.
Quanto à consulta pública ocorrida, referiu que esta continua a revelar “uma posição de forte contestação ao projeto, transversalmente defendida por cidadãos, autarquias, organizações ambientais, associações e empresas”.
Segundo o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental, a reformulação do plano inclui alterações ao processo de tratamento mineralúrgico, com a “eliminação do cianeto de sódio”, o reforço das medidas de proteção do aquífero, mudanças no método de deposição de resíduos no aterro e uma redução da área de ocupação.
O investimento da empresa Redcorp – Empreendimentos Mineiros foi classificado em 2022 com Estatuto de Projeto de Interesse Nacional (PIN).
O projeto esteve em consulta pública até 27 de novembro de 2025, depois de, em julho do mesmo ano, após emitir uma decisão de DIA desfavorável, a APA ter dito que o promotor tinha seis meses para reformular a proposta e submetê-la a novo Estudo de Impacte Ambiental.
O promotor aponta para um investimento global de 196 milhões de euros e a criação de 300 postos de trabalho diretos e 700 indiretos, e o início da construção para o 1.º trimestre de 2026, com o arranque da exploração mineira no 2.º semestre de 2027 por um prazo de 11 anos.
A produção estimada para a Mina da Lagoa Salgada é de 5.480 toneladas diárias de minério, durante uma vida útil de 11 anos, iniciada após uma fase de construção com cerca de dois anos.
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