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A medida, aprovada hoje em reunião de câmara, insere-se numa estratégia mais alargada de reforço da oferta habitacional no concelho, num contexto de crescente pressão demográfica associada ao desenvolvimento económico da região.

Segundo dados avançados pelo presidente do município, Bruno Gonçalves Pereira, existe ainda potencial para, de forma faseada, virem a ser construídos até cerca de 3.118 fogos adicionais em Vila Nova de Santo André.

O autarca considerou, por isso, que este é um “momento marcante”.

“São 378 neste loteamento em Santo André, mas estão previstos também mais de 200 em Santiago do Cacém e, em simultâneo, nas outras freguesias para moradias unifamiliares”, precisou.

Apesar do consenso quanto à necessidade de aumentar a oferta de habitação, os vereadores da oposição alertaram para os desafios que este crescimento poderá trazer, sobretudo ao nível das infraestruturas e serviços públicos.

A bancada da CDU sublinhou que o aumento da oferta habitacional já era expectável, mas levanta preocupações antigas.

“Estamos alerta para essa situação. É algo que a própria CDU já tinha previsto”, afirmou a vereadora Sónia Gonçalves, recordando que o processo teve início em mandatos anteriores.

A autarca destacou a necessidade de respostas concretas ao nível da educação, saúde e infraestruturas.

“As escolas em Santo André e Santiago do Cacém já estão praticamente no seu limite. É muito importante perceber de onde vem o financiamento para expandir esta oferta”, referiu, acrescentando que também as redes viárias, o abastecimento de água e o saneamento terão de acompanhar o crescimento populacional.

Ainda assim, a eleita mostrou-se favorável à aposta em habitação a custos controlados.

“Tem que ser mesmo controlado, porque há especulação. Quem vier vem com intuito de lucro, mas tem que haver mecanismos para dar resposta a quem cá está, nomeadamente aos jovens e às famílias”, defendeu, assumindo uma postura de “oposição responsável”.

Também a vereadora do Chega, Cláudia Estêvão, reconheceu a importância do projeto, mas deixou alertas semelhantes.

“O crescimento da população é inevitável havendo oferta de emprego. O problema da habitação já vem de trás e os preços aumentam com a escassez”, afirmou.

A eleita considerou essencial garantir que o reforço habitacional seja acompanhado por serviços adequados.

“É muito importante assegurar que escolas, pré-escolas e serviços de saúde conseguem responder de forma equitativa”, disse.

No caso da saúde, apontou a necessidade de maior intervenção do Estado, defendendo que o município deve pressionar o Governo para reforçar a atração de profissionais.

Entre as soluções, sugeriu a disponibilização de habitação e apoios locais para fixar trabalhadores qualificados no concelho.

“Este projeto é importante, mas não chega. Temos que começar já a acautelar os serviços que serão necessários quando as pessoas cá estiverem”, defendeu.

Além de considerar legítimas as questões levantadas pela oposição, Bruno Gonçalves Pereira referiu que a pressão sobre os serviços já foi identificada pelo executivo, que deverá transmitir estas preocupações ao Governo.

“Vamos ter uma reunião, em breve, com a secretária de Estado da Habitação, porque os serviços de Saúde, Justiça e Escolares têm de dar resposta a esta procura acrescida”, revelou.

Ainda de acordo com o autarca, dos 378 fogos previstos no Loteamento do Galeão, entre “20 a 30 fogos” deverão passar para a administração direta do município.

A proposta de alienação dos lotes de terreno do Loteamento Municipal do Galeão foi aprovada por unanimidade.


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SANTIAGO DO CACÉM
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