Bloco de Esquerda alerta para "impactos irreversíveis" do parque eólico das Cachenas
O Bloco de Esquerda (BE) alertou recentemtente para "os impactos irreversíveis” que o parque eólico das Cachenas, promovido pela Galp, no litoral alentejano, vai causar no território e pediu esclarecimentos ao Governo sobre a viabilidade ambiental deste projeto.
Foto: DR
Em comunicado, o partido adianta que o Grupo Parlamentar entregou, no passado dia 14 deste mês, um requerimento na Assembleia da República a questionar o Ministério do Ambiente e da Energia (MAEN) sobre o projeto da Galp, cuja fase de estudo prévio esteve em consulta pública.
Para o deputado do BE, Fabian Figueiredo, que assina o documento, “o projeto impõe impactos ambientais, sociais, económicos e paisagísticos significativos e irreversíveis ao território”, criando “mais uma zona de sacrifício no litoral alentejano, cofinanciada pelo Estado”.
“De acordo com denúncias de ativistas ambientais e sociais do litoral alentejano, o projeto comporta riscos ambientais relevantes, uma vez que as áreas de implantação abrangem territórios da Rede Natura 2000, do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e Áreas Prioritárias para a Conservação”, alertou.
O projeto do Parque Eólico das Cachenas abrange os territórios de quatro freguesias nos concelhos de Odemira, de Santiago do Cacém e de Sines.
De acordo com o estudo prévio, o futuro Parque Eólico das Cachenas consiste numa unidade de produção para autoconsumo e prevê a instalação de 19 aerogeradores, com uma potência unitária de 6,8 MW (megawatts), correspondendo a uma potência total instalada de 129,2 MW.
O BE considera que o projeto “não apresenta salvaguardas à saúde e qualidade de vida das populações”, com “impactos socioeconómicos negativos que incluem a perda de postos de trabalho permanente, a diminuição da qualidade de vida e da atratividade do território”.
E argumenta que “não existem benefícios energéticos diretos ou estruturantes para o território, enquadrando-se o projeto numa lógica extrativista que prejudica as populações locais e não contribui em nada para o desenvolvimento da região”.
Por isso, no requerimento, o BE quer saber de que forma o MAEN justifica a viabilidade ambiental deste projeto numa área que abrange a Rede Natura 2000 e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e se foi feita uma avaliação de custo-benefício ambiental que compare a degradação permanente do ecossistema com o curto período de produção energética.
Pretende ainda saber se o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) contempla uma avaliação específica sobre os impactos na saúde e qualidade de vida das populações residentes e de que forma o MAEN responde à perda de postos de trabalho permanentes e diminuição da atratividade do território.
O BE quer saber igualmente se existem salvaguardas previstas para impedir que o litoral alentejano se transforme numa “zona de sacrifício” para benefício exclusivo de pólos industriais externos e porque não foi priorizada a instalação destas infraestruturas em áreas já industrializadas ou com menor impacto ecológico.
No requerimento, o deputado questionou ainda o Governo sobre o montante exato de cofinanciamento público (nacional e europeu) previsto para este projeto e como foram integradas as conclusões da consulta pública na decisão final.
Comente esta notícia
Notícias mais vistas
GNR detém homem por suspeitas de tráfico de droga em São Francisco da Serra
24/01/2026
Rio Sado galga margens e inunda zona baixa da cidade de Alcácer do Sal
28/01/2026
Núcleo de Santiago do Cacém da Missão Coragem tem novos órgãos sociais
26/01/2026
Primeiro-ministro está hoje em Sines para assinar contratos de investimentos
20/01/2026