ANSUB prepara certificação do Pinhão de Alcácer
A futura Indicação Geográfica Protegida do Pinhão de Alcácer deverá abranger uma área muito superior ao concelho de Alcácer do Sal, revelou a ANSUB que está a preparar o dossiê técnico para apresentar o pedido de reconhecimento à Comissão Europeia..
Foto: CMAS
Pedro Silveira, presidente da associação de produtores florestais do Alentejo Litoral, estima que o processo possa demorar mais de um ano.
“É uma área geográfica bastante maior. Basicamente, nós tivemos que ir procurar que tivesse uma homogeneidade de características e chegámos à conclusão de que o fator diferenciador era ser o pinhão produzido nas bacias de areia do Tejo e do Sado. Portanto, é uma coisa bastante superior e dá até à Chamusca”, precisou.
O projeto contempla também a criação de uma organização de produtores, à qual terão de pertencer os produtores que pretendam certificar o pinhão. O objetivo passa por garantir a origem e a rastreabilidade do produto até à chegada ao consumidor.
“Com esta certificação temos vários objetivos e, se calhar, o aumento de preço não será um deles. Mas, no fundo, é desenvolver a fileira, claramente, esse é o primeiro objetivo. E depois temos objetivos mais específicos, que é, para já, diferenciar um produto que é caríssimo”, frisou.
A IGP deverá permitir distinguir o Pinhão de Alcácer de produtos provenientes de outros mercados, incluindo o pinhão de origem chinesa, e facilitar o acesso a financiamento para ações de promoção.
Segundo o dirigente, a produção regional ronda atualmente as mil toneladas, embora varie significativamente entre campanhas.
Pedro Silveira aponta as alterações climáticas e as pragas como algumas das principais ameaças à atividade.
“Eu diria que as alterações climáticas são uma grande ameaça, porque todas estas questões das secas mais frequentes, dos picos de calor, tudo isso influencia não só os processos fisiológicos do pinheiro-manso, mas também as pragas, promove o ataque por pragas, que também são bastante prejudiciais na produção”, salientou.
O projeto representa um investimento estimado em cerca de 30 mil euros, financiado pelo Fundo para uma Transição Justa, com uma componente de autofinanciamento de 15%.
Para a ANSUB, a futura certificação deverá contribuir para aumentar a rentabilidade dos produtores e tornar a fileira da pinha e do pinhão mais atrativa.
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