Sindicato aponta impacto “na ordem dos 100%” na greve da REN Atlântico
A greve dos trabalhadores da REN Atlântico, no terminal de gás natural liquefeito de Sines, terminou à meia-noite com uma adesão de 100% e um impacto praticamente total nas operações, segundo a Fiequimetal.
Foto: DR
O dirigente sindical Rogério Silva revelou que, durante os três dias de paralisação, foram carregados apenas seis contentores de gás destinados à Madeira e praticamente nenhuma cisterna saiu do terminal.
“Praticamente só foram carregados seis contentores com gás para a ilha da Madeira. Não saiu praticamente nenhuma cisterna. O impacto foi na ordem de 100% nestes dias”, afirmou.
A greve, que envolveu 24 trabalhadores diretamente ligados à operação, avançou com a exigência de condições de acesso à pré-reforma semelhantes às previstas no Acordo Coletivo de Trabalho de 2000, devido ao desgaste provocado pelo trabalho por turnos.
Segundo Rogério Silva, muitos trabalhadores já acumulam mais de 20 anos neste regime.
“A média etária é à volta dos 40. Daqui a 10 anos, aliás, muitos deles já têm 20 e poucos anos de turnos. Se trabalharem até à idade legal de reforma, alguns deles vão estar 47 anos a trabalhar em turnos”, alertou.
Os dois sindicatos que convocaram esta greve, SITE Sul e Fiequimetal, contestam também a interpretação feita pela REN e pelo Governo do acordo relativo aos serviços mínimos, criticando a alegada venda de gás a Espanha durante a greve.
Os trabalhadores vão agora reunir-se em plenário para avaliar a paralisação e decidir os próximos passos. O sindicato pretende solicitar uma reunião ao Ministério do Trabalho e avisa que o conflito poderá continuar caso a administração não aceite negociar.
“Obviamente que vamos solicitar ao Ministério do Trabalho a marcação de uma reunião. Nós estamos cá numa postura de diálogo, de procura de soluções. Não temos como propósito a eternização deste conflito, não fazemos a greve pela greve”, acrescentou o dirigente sindical.
Além da pré-reforma, os trabalhadores reivindicam a correção de diferenças salariais, entre 100 e 200 euros, entre profissionais que desempenham as mesmas funções.
A REN afirmou ter assegurado as operações críticas para a segurança do abastecimento e a gestão das reservas de gás, garantindo que respeita o direito à greve e mantém o diálogo com os sindicatos.
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