Foto: DR

“Esta é a primeira intervenção de requalificação apoiada pelo PRR a ficar concluída e apresentada ao público no Alentejo”, afirmou a governante durante a cerimónia de reabertura do monumento.

A igreja, classificada como Monumento Nacional e mandada construir por Vasco da Gama no século XVI, esteve encerrada durante dois anos para a realização dos trabalhos.

A intervenção representou um investimento global de 450 mil euros, integralmente financiado pelo PRR, e permitiu corrigir situações de degradação no edifício, recuperar coberturas, pavimentos e elementos arquitetónicos e melhorar as condições de conservação e apresentação do espólio.

Segundo Margarida Balseiro Lopes, a localização junto ao mar sujeita o imóvel a condições particularmente exigentes de humidade e salinidade, tornando necessária uma resposta técnica em diferentes áreas.

A ministra afirmou que a obra permitiu devolver a Sines “um dos lugares que melhor ajuda a contar a história deste concelho” e da relação construída ao longo dos séculos com o mar e a comunidade.

Além da ligação a Vasco da Gama, a governante salientou a importância da igreja enquanto lugar de devoção e encontro das comunidades piscatórias, assim como o valor do respetivo tesouro, constituído ao longo dos séculos através de ofertas e objetos de diferentes épocas e origens.

“Durante a intervenção agora concluída, este património pôde também ser protegido, estudado e valorizado, regressando hoje à igreja com melhores condições de conservação e de apresentação ao público”, assinalou.

Margarida Balseiro Lopes indicou também que a recuperação abre caminho para que o Município de Sines possa vir a assumir a gestão do imóvel, aproximando-o da comunidade e integrando-o na restante oferta cultural e patrimonial do concelho.

A reabertura e uma futura gestão municipal poderão, segundo a ministra, “criar novos motivos de visita” e valorizar Sines enquanto destino cultural.

A governante destacou ainda a dimensão regional do investimento, tendo em conta que Évora será Capital Europeia da Cultura em 2027.

“Cada investimento que melhora a capacidade de receber visitantes, reforça a oferta cultural e valoriza o património do Alentejo contribui também para afirmar a riqueza e a diversidade de toda a região”, sustentou.

A ministra revelou igualmente que a componente do PRR destinada ao património cultural foi integralmente executada, “não ficando um euro por preencher”.

O presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha, considerou que a reabertura devolve à cidade mais do que um edifício, ao recuperar um espaço ligado à memória das comunidades marítimas e à identidade local.

O autarca defendeu que Sines não tem de escolher entre a sua atual dimensão económica, portuária e industrial e a preservação da sua história.

“Podemos e devemos ser simultaneamente uma cidade moderna, dinâmica, internacional e uma cidade profundamente consciente das suas raízes”, afirmou.

Álvaro Beijinha acrescentou que a recuperação permitirá potenciar o turismo cultural, enriquecer o roteiro histórico do concelho e preservar para as próximas gerações um monumento ligado a Vasco da Gama e à história de Sines.

O presidente do Património Cultural, João Soalheiro, destacou o trabalho desenvolvido na recuperação, conservação, investigação e valorização do imóvel e manifestou confiança no futuro deste espaço requalificado.

"Que esta casa não seja nunca, apenas um Museu, mas que seja essencialmente aquilo para que ela foi feita: uma casa de paz, uma casa de espiritualidade, uma casa de prece", advertiu.

A Igreja de Nossa Senhora das Salas reabriu também com o polo museológico onde se encontra exposto o seu tesouro.

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