Foto: CMSC

A mostra é inaugurada esta sexta-feira, às 18:00, na Junta de Freguesia de São Francisco da Serra, e reúne peças recolhidas durante as escavações realizadas pela ERA Arqueologia.

“É um sepulcro funerário que foi erigido no Neolítico, sensivelmente há coisa de 5.000, 5.500 anos, que depois teve uma utilização até ao final da Idade do Cobre”, explicou o arqueólogo António Valera.

O monumento, que se encontrava em ruína avançada, foi intervencionado no âmbito de uma ação de minimização de impactes associada à construção de um lanço do IP8, entre Roncão e Grândola.

Depois da escavação e do registo dos elementos encontrados, foi necessário desmontar a anta, por estar no corredor previsto para a autoestrada.

“A anta estava precisamente no meio do corredor projetado da autoestrada, portanto a anta teve que ser desmontada. Foi feito todo o trabalho de escavação arqueológica e de registo do que lá estava”, revelou.

Segundo António Valera, a localização da Anta dos Enxacafres é um dos aspetos mais relevantes dos trabalhos. Ao contrário de outros monumentos megalíticos da zona, esta anta surgia isolada, no topo da Serra de Grândola, podendo ter funcionado como um marco nas antigas trajetórias de circulação.

Apesar do mau estado de conservação da estrutura, os trabalhos permitiram identificar a câmara funerária, o corredor de acesso, uma sepultura secundária e vários artefactos votivos.

Entre as peças mais importantes estão placas de xisto gravadas e uma taça campaniforme decorada, do final da Idade do Cobre.

“Em termos de peças que, do ponto de vista museográfico, têm mais impacto, temos algumas placas de xisto gravadas" e "uma taça campaniforme”, contou.

A exposição reúne cerca de duas a três dezenas de peças e, segundo fontes da Câmara Municipal de Santiago do Cacém e da Junta de Freguesia, o acervo ficará permanentemente exposto em São Francisco da Serra.

Para António Valera, a mostra permite devolver à população o conhecimento resultante dos trabalhos arqueológicos.

“Esta exposição era fundamental porque vai permitir que o trabalho que foi feito tenha a sua conclusão lógica, que é proporcionar conhecimento ao público em geral e, neste caso em particular, às pessoas da região”, sustentou o arqueólogo que, após a  inauguração da exposição, ficará responsável pela moderação da palestra “Anta dos Enxacafres: Construção de uma memória coletiva”.

Comente esta notícia


SANTIAGO DO CACÉM
Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização.