Foto: BE

Durante uma visita realizada esta quarta-feira ao complexo industrial e portuário de Sines, o dirigente bloquista percorreu vários locais associados aos novos projetos, entre os quais o centro de dados da Start Campus e a fábrica de baterias de lítio da chinesa CALB.

No final da deslocação, José Manuel Pureza levantou dúvidas sobre a finalidade do centro de dados, considerando que a dimensão da infraestrutura poderá estar relacionada com o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial destinados à indústria militar norte-americana.

“Tudo leva a crer, pela informação que vamos recolhendo, que há uma articulação direta entre este mega data center e o desenho de modelos de inteligência artificial que venham depois a ser aplicados na indústria de guerra norte-americana”, afirmou.

O coordenador do BE associou estas suspeitas à posição estratégica de Sines, enquanto ponto de amarração de cabos submarinos de telecomunicações, e ao projeto de construção de um cais com capacidade para utilização civil e militar.

Na sua perspetiva, uma eventual utilização destas infraestruturas para fins militares poderá aumentar a vulnerabilidade da região.

“Se Sines for um ponto de ligação estratégica à indústria de guerra norte-americana, Sines é um alvo”, advertiu.

José Manuel Pureza apontou também os impactos ambientais dos projetos, nomeadamente as elevadas necessidades de eletricidade do centro de dados e a expansão de centrais fotovoltaicas e parques eólicos em territórios vizinhos, como Santiago do Cacém e Cercal do Alentejo.

O dirigente avançou que o centro de dados poderá consumir o equivalente a cerca de 20% da eletricidade utilizada em Portugal, estimativa que não foi acompanhada da indicação de uma fonte, e questionou os efeitos da expansão energética sobre os habitats naturais e as comunidades locais.

Para o BE, os investimentos anunciados como parte da transição energética e digital devem ser avaliados também pelas consequências que provocam no território e pelas condições de vida das populações.

Nesse contexto, Pureza criticou a falta de transparência que considera existir em torno dos projetos e contestou o discurso político centrado na modernização tecnológica e na criação de emprego.

“Tudo isso para depois acabar por redundar em muito pouco benefício para a comunidade local”, afirmou, considerando que os impactos negativos poderão ultrapassar as vantagens anunciadas.

A habitação foi outra das preocupações destacadas pelo coordenador bloquista, que relacionou a instalação dos novos empreendimentos industriais com o agravamento dos preços de venda e arrendamento de casas em Sines.

“A crise da habitação não é em Lisboa e no Porto, a crise da habitação é em Sines, é no país inteiro”, sublinhou.

O dirigente alertou igualmente para a pressão que a chegada de novos trabalhadores e famílias poderá exercer sobre estabelecimentos de ensino, unidades de saúde e outros serviços públicos, defendendo uma resposta do Estado ajustada à dimensão das transformações previstas.

José Manuel Pureza anunciou que o Bloco de Esquerda pretende levar estas preocupações ao Governo e à Assembleia da República, através de iniciativas políticas específicas sobre Sines.

A deslocação marcou o início de um conjunto de visitas do partido a outras regiões do país onde estão projetados ou em construção centros de dados de grande dimensão.

O coordenador bloquista considera que o atual processo de desenvolvimento de Sines poderá constituir um “erro calamitoso” e contribuir para a “fragilização da vida coletiva” na região e no país.

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SANTIAGO DO CACÉM
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